Nem Vodka Natasha salva!

Primeiramente, FORA TEMER! Quem não quiser ler já pode parar por aqui.

Comi corda! Não queria me colocar sobre o “causo” ocorrido na festa da Malokas House, em Goiana, até porque eu não estava lá… mas me cutucaram e eu comi corda e vou escrever sobre, e não será pra colocar panos quentes na questão. Quem não quiser ler pode parar por aqui também.

Tenho vários pés atrás com o discurso de “não política” que boa parte da galera que faz e consome cultura “alternativa” (aí uso o itálico, as aspas e o negrito duma vez só pra relativizar o termo alternativo) insiste em adotar.

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Foto: Goiana Notícias Imagens – Reprodução da internet.

Não cobro aqui que as pessoas se envolvam em política partidária, mas que ao menos se percebam como sujeitos ativos/passivos de um sistema social em que a política é inerente a qualquer indivíduo, ainda mais em momentos de alta tensão que vivemos no Brasil e America Latina.

Aí fazem um evento num prédio público abandonado, ocupando e dando vida ao que era pra estar vivo pela força de governo e servindo a população, mas dizem que é um evento politicamente neutro,  um grande equívoco de conceito!

Mas até aqui tudo ok.. é festa, toma uma lapada de cana e tudo desce!

Mas o que pensar do peido dado por ouvir um Fora Temer!? Pra mim é um cagarralismo desidratante de um coletivo que tem o nome ÚTERO, que me remete logo a questões de luta pela igualdade gênero, tão importantes para a nossa sociedade e tão debochada por um governo golpista, no qual não há nenhuma mulher no primeiro escalão do governo, os ministros, e que logo nos primeiros dias após o golpe tocou fogo na Secretária da Mulher do Governo Federal. Uma figura que se orgulha do discurso da esposa em ser “Recatada de Do Lar”. Na moral, cagarralismo desidratante!

Mas aí eu venho para filosofia e tento relativizar todo o cenário, pois Rousseau falou: “Há que se tolerar até mesmo os intolerantes!” e o coletivo ÚTERO respeita a diversidade de visão política dentro dos seus componentes. Beleza, o coletivo não quer se expressar politicamente, toleremos!

Tomemos agora uma lapada de Vodka Natasha por que afinal de contas, tá ficando mais difícil de engolir em imbróglio.

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Mas aí no microfone sobe David, que gosta de falar mais do que o homem da cobra, e faz duas dúzia de elogios aquele momento… até ai ok! Se tivessem ficado chateados pela meia hora de conversa de David no microfone e isso tivesse morgando o evento e além do mais atrasando a grade de apresentações, tudo bem.. tá bom David, já deu é hora de parar de falar!!

Mas não foi isso, o que engatilhou mesmo o “causo” foi o fato de David ao final da fala ter puxado um FORA TEMER! Na moral, David estava ali falando enquanto David, expressando a opinião política dele e não falando em nome do coletivo ÚTERO ou dos organizadores do evento e da ocupação. Quem não gostou e não concorda era só não ter gritado o FORA TEMER!, quem achou que deveria rebater a expressão de David no mesmo volume, que se apossasse do microfone e fizesse sua declaração.

Ou até mesmo a organização do evento de forma elegante, se é que com todo esse erro de conceito de posicionamento político possa ser elegante, pegasse o microfone e falasse: Galera, esse é o posicionamento de David, o coletivo que organiza o evento prefere não se colocar politicamente ou não comunga dos mesmo ideais de David.

Mas dá peido como deram, contagiar negativamente toda uma festa massa que estava acontecendo só por isso é outra coisa. É perder a oportunidade de colher frutos massa de um evento e uma ocupação que tinha e tem tudo pra caminha num caminho massa. Gostaria muito que a repercussão do “pós evento” fosse de outra natureza, fosse mais positiva, mais astral e profética.. e não ficar nessa de vitimização polarizada e mi-mi-mi.

E piorou, depois da lapada de cana se misturar com a de vodka natasha a merda virou boné e David e Vidal se juntarão a Ana e Thalita e fizeram outra coisa na qual ele é especialista, perder a razão. Cagaram tudo, desconsideraram o esforço e legitimidade da ocupação, borrou pixo e grapixo e grafites alheios e sem nunca ter se proposto a apanhar uma pá do poeira para colaborar com a ocupação. Teria aqui David reproduzido o DNA do vírus que levou à falência a esquerda no Brasil? Perder a razão!

Pedir desculpas é incolor, inodoro, insípido e é bom pra ressaca.

Entendo quando  Philippre Wollney fala que “A palavra pedra quebra vidraças”, mas ali não foi o caso, as palavras FORA TEMER! não foi forte o suficiente para quebrar nada, o que rolou foi mais um efeito colateral dessa postura tão rala como uma sopa de sal que é o da “não política”.

E pra fechar.. FORA TEMER!

Quem não quiser ler novamente não leia.

Nem Vodka Natasha salva!

Goiana – Votar é escolher o piano menos pesado

Nos poucos mais de 10 anos de eleitor, sempre com domicílio eleitoral em Goiana-PE, sempre estive em frente as cabines de votação órfão da plena consciência. Nunca foi me dada a opção de um voto de certeza,  de convicção política e ideológica e amanhã (eleições de 2016) não será diferente.

Esse cenários eleitoral reflete diretamente nos cenários das gestões que pude ser testemunha, sempre me pareceram mancas ou “Usain Bolt`s” no caminho do mal.

Hoje sou descrente de que um contexto eleitoral que me permita plena consciência no meu voto surja aleatoriamente, sem que eu faça, em algum nível, parte da construção desse contexto, coisa que nesse ano de 2016 foi esbolçada através do movimento político Se Liga Goiana!

Amanhã vamos nós mais uma vez (e de novo) escolher o piano menos pesado para carregar nas costas por mais 04 anos.

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Goiana – Votar é escolher o piano menos pesado

“Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai”.

O senso comum de impunidade para certos tipos de crimes ou certos tipos de criminosos é um legado histórico no Brasil. É a graxa que faz suave o movimento da engrenagem da desigualdade, dos diversos moldes de violência presente no cotidiano do brasileiro comum, da descrença na política e dos péssimos serviços públicos que são prestados a sociedade.

Esse senso comum, o das impunidades seletivas, nos últimos capítulos de nossa história tem sofrido duros golpes.

Na imprensa nacional todos os dias tomamos notícias de executivos das maiores empreiteiras do país encurralados pela justiça, a alta cúpula política também tem sido alvo de investidas contra atos de corrupção. Nunca no Brasil se viu tantos ternos de alta costura servindo para encobrir rostos envergonhados e mãos algemadas.

 

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A palavra Spectrum foi usada pela primeira vez cientificamente dentro do campo da óptica para descrever o arco-íris de cores em luz visível quando separados utilizando um prisma. Em Goiana foi o nome de batismo de uma operação da polícia civil contra corrupção e desvio de dinheiro da prefeitura.

 

As frases de efeito “Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai” tem zunido no ouvido de muita gente, nas grandes e nas pequenas cidades do país, como um mantra do mau.

Para essa categoria de criminosos ficou mais difícil levar os filhos na escola no carro do ano sem lembrar que este carro é fruto de crime. Para esse tipo de criminoso ficou mais difícil deitar a cabeça no travesseiro tranquilamente, com a certeza que a polícia civil não o acordará antes do despertador.

Agora é.. engrana uma melodia de soltar o voz no mantra:

¶¶”Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai”¶¶

¶¶”Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai”¶¶

¶¶”Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai” ¶¶

¶¶”Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai”¶¶

¶¶”Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai”¶¶

¶¶”Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai”¶¶

“Todo malandro tem seu dia de otário” ou “Um dia a casa cai”.

O conto de um móvel que se foi. Ou a merda virou boné!

Ouvi um relato no início do ano e ele é a melhor forma para iniciar esse texto.

Num final de noite quase madrugada de janeiro deste 2016 um funcionário de “cacife” da Comissão Permanente de Licitação, que fica ali no beco de basílio, foi visto encostando um carro estilo pik up em frente ao órgão público, entrou e retirou um móvel grande, um espécie de mesa, colocou na carroceria e partiu. Horas antes foi visto este mesmo móvel ser entregue no prédio que abriga o órgão.

Como diz o ditado ” O dono apareceu!”

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Feita a introdução com esse relato e seja lá o grau de vericidade que ele possa conter, o certo é que movimentos como esse, de uso da coisa pública em benefício da vida privada, vão se alastrar ainda mais na gestão municipal após o anúncio da não candidatura a reeleição de então prefeito Fred Gadelha.

Sabem o motivo? É que em Goiana, independente da gestão, do prefeito, dos vereadores, do ministério público e do escambal alado, sempre haverá muitos gabirús que sem remoço algum conseguem educar seus filhos durante as refeições dominicais quando sentados sobre móveis roubados.

E na cabeça desse tipo de gente NÃO passa o raciocínio: “São 05 meses para correr contra o tempo e deixa algum legado concreto do meu trabalho na gestão pública”. O raciocínio natural é: “São cinco meses para sugar tudo que conseguir, de móveis a pano de ferida”.

 

 

O conto de um móvel que se foi. Ou a merda virou boné!

Vamos falar sobre os gabirus

Caracterização da espécie no reino animal:

A espécie aqui investigada é encontrada em abundância nas ruas de Goiana dia e noite. Suas principal fonte de alimento são os farelos oriundos da farta corrupção da coisa pública. Passam quatro anos na miséria, porque não sabem ser outra coisa que não gabirus na espera do período eleitoral em que tentam um acesso aos grãos de farelos mais “fartos” dos esquemas podres da prefeitura de demais órgãos da gestão pública.

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Intervenção urbana da artista visual Camila Storck 

Podem parecer humanos, alguns da espécie inclusive investem em fantasias engomadas e plumagens que imitam pobremente as vestes da aristocracia arcaica da cidade, mas não passam de gabirus. Característica marcante do seu comportamento é a falta de lealdade, personalidade política e pudor.

São altamente individualistas, fingem o tempo inteiro um pensamento coletivo, mas diariamente migram de ninho para barganhar por uma melhor posição na fila das migalhas. São infecciosos, transmitem a principal grangrena que atinge a saúde das democracias.

Considerado uma praga sistêmica resultante de um desequilíbrio ecológico oriundo ingestão de metais pesados no período pré-histórico na África Central, estes ratos estão espalhado por todo o planeta. Fique atento, pode haver um lhe observando enquanto você ler esse texto.

 

Vamos falar sobre os gabirus

Meu sono não é vendido à Kilo.

Uma vez ou outra na vida é importante tangenciar os limites que demarcam as chamadas “Zonas de Conforto”. Quando o assunto é política eleitoral eu sempre preferi minha zona de conforto, e de lá, do auge da minha falta de envolvimento partidário, sempre estive confortável para criticar todos os esquemas típicos desse sistema falho que temos para eleger nossos políticos. Reclamo ainda mais quando sai o resultado das eleições. Mesmo que não pareça, é muito confortável está onde sempre estive.

Não sei se a idade ou os recentes retrocessos políticos em nosso país e município, mas tenho sentido cada vez mais vontade de experimentar pisar, talvez com os dois pés, sobre a linha que separa de uma lado essa minha zona de conforto e do outro o envolvimento com o processo eleitoral. E por onde começar?

Procurei me aproximar de estruturas (mais de uma delas) de pré-campanhas majoritárias em minha cidade, Goiana-PE. Fui de peito aberto, disposto a entender, aprender e ser “conquistado” ideologicamente.

Pulei um muro de mim mesmo, fui para uma batalha de campo aberto entre o mundo das eleições e meu juízo na hora do sono.

Resultado da batalha.. ISÔNIA.

Apesar de ter perdido feio a primeira batalha e ter voltado com o rabinho entre as pernas para minha zona de conforto, me sinto ainda mais instigado em continuar tangenciando essa linha, para quem sabe num outro momento cair pra dento desse campo novamente, dessa vez de um lado certo e com armas justas.

 

Meu sono não é vendido à Kilo.

Rua da Baixinha: um caso curioso para as ciências sociais

Há uma película em transparência que faz a margem entre as formas do uso dos espaços privados e espaços públicos. A  boa relação entre os dois tipos de espaços por meio desta película é o que diz quão saudável é a relação da sociedade com seu espaço urbano.

No mundo inteiro frequentemente essa película sofre escoriações por parte do comportamento social ou por interferências paisagísticas descuidadas. Em Goiana, mais especificamente em algumas quadras da rua da baixinha, essa relação se dá de forma bastante peculiar, talvez única no mundo.

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Faço o esforço de me desprender de todas as amarras sentimentais que posso ter com esta paisagem e só assim posso achar intrigante a relação que as famílias residentes nesse trecho da cidade tem para com o espaço público. Ali todos os tipo de atividades que naturalmente acontecem dentro das casas (espaço privado) podem ser vistas acontecendo nas calçadas e rua (espaços públicos), sobretudo os momentos de celebração.

É a inversão da lógica estabelecida e por ser assim já ganha minha atenção.

Tendas brancas se armam na rua, mesas, sofás, estantes, piscina inflável, sistemas de som, televisores  e churrasqueiras completam o cenário. No natal, dias das crianças ou em aniversário as entregas de presentes costumam ser na rua e ali mesmo na rua os vizinhos celebram a vida juntos, comem, bebem, conversam, riem, brigam e se apaixonam.

É um tipo de ocupação do espaço público realmente curioso e merecedor de um olhar mais sofisticado das ciências sociais, pois se por um lado é possível afirmar que o espaço público nesse contexto é utilizado como extensão do espaço privado do interior das casas, por outro lado é possível afirmar que esse fenômeno proporciona um nível mais profundo de sociabilidade entre os pares, aspecto considerado saudável nesses tempos cibernéticos.

Talvez o ponto de virada do próximo paradigma nas relações interpessoais, numa era pós redes sociais, esteja curiosamente escondido nas ciências únicas nas celebrações das datas comemorativas ou simples bicadas de final de semana na rua da baixinha.

 

 

 

 

Rua da Baixinha: um caso curioso para as ciências sociais